domingo, 24 de outubro de 2010

Inclusive, incluindo...





Não será difícil, após um brevíssimo sobrevoo histórico, chegar à conclusão de que a divisão social calcada na idéia de que existem pessoas que têm mais valor que outras, parece ser uma “inclinação”, ou forte tendência, do comportamento humano.Os nossos livros de história, da educação básica, nos lembram da cidade de Esparta, onde aqueles bebês nascidos com algum tipo de defeito físico eram sumariamente assassinados. A própria Grécia antiga, considerada por muitos o berço da cultura ocidental, bem como das idéias fundadoras da democracia, fazia uma distinção clara dos papéis de cidadãos homens, mulheres e escravos na dinâmica da participação política, reservando apenas aos primeiros, o direito de decidir os rumos da sociedade da época.

A escravidão, aliás, que nada mais é que suprimir, de indivíduos ou grupos sociais e/ou étnicos, direitos essenciais à dignidade humana, foi, ao longo de toda antiguidade e Idade Média, uma prática comum e aceita nos diversos sítios do nosso planeta. A despeito do pensamento generalizado de que esta é uma prática inaceitável nos dias de hoje, não podemos dizer que estamos totalmente livres dela. A estruturação de algumas sociedades pelos sistemas de estamento e castas, como por exemplo no feudalismo e na sociedade indiana, também reflete claramente esta idéia de que alguns indivíduos são nitidamente melhores do que outros, pelo simples fato de terem nascido em uma determinada família e sem que tivessem que fazer nenhum esforço para conseguir o status de privilegiado. A segregação de grupos étnicos, como negros, judeus, ciganos, etc. ainda é algo vivo na nossa memória histórica, e aqui e ali, representantes desses grupos ainda sofrem as consequências da sua ascendência, tendo muitas vezes que empreender grandes esforços para que direitos garantidos por lei, possam ser, por eles, desfrutados.

Para não deixar de lado a nossa própria filiação teórica e profissional, devemos lembrar que a Psicologia foi, em muitos momentos, uma ciência que colaborou com a manutenção das desigualdades sociais, tentando explicar “cientificamente” que era justo que pessoas com qualidades diferentes tivesses privilégios diferentes na sociedade. Desde Franz Joseph Gauss, no século XVIII, com a proposta de avaliar as características humanas por meio da Frenologia, passando por Sir Francis Galton, no século XIX, com a proposta do melhoramento da espécie por meio da Eugenia, até chegar aos testes de inteligência, instrumento que mais caracteriza a atuação do psicólogo, a Psicologia apresenta uma passado não muito louvável na defesa da igualdade de direito entre as pessoas. A discussão sobre a real utilidade dos testes de inteligência, desde sua primeira versão, proposta por Alfred Binet, no início do século passado, ainda tem muita força em algumas sociedades, principalmente nos EUA, onde a economia que mantém o sistema educacional depende fundamentalmente desses instrumentos de avaliação (supostamente) das capacidades humanas.

A universidade, instituição seletiva e elitista por natureza e tradição, tem obrigação de contribuir para mudar o curso dessa história. Ao empenho teórico de criticar idéias arcaicas e propor novas formas de pensar a relação entre os indivíduos e a diversidade que os rodeiam, deve-se agregar os exemplos práticos, mostrando à sociedade uma postura coerente, que deve ser seguida se pensamos em um mundo mais inclusivo e acolhedor. Espero que os vídeos dessa postagem possam contribuir para que reflitamos sobre a inclusão em um setor tão representativo para a chamada "opinião pública".



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Emergência!!!



Uma das postagens deste blog que mais gerou discussão foi a que tratava da lousa digital. A utilização de tecnologia em sala de aula, ainda é um tema controverso, e, pelo que pude perceber, alvo da resistência de muitas pessoas ligadas à educação. Em função disso, resolvi abordar o tema apartir de uma outra perspectiva. Uma perspectiva contrária á morosidade das mudanças no âmbito da educação. 
É certo que não considero que toda mudança seja, em si, positiva. Mudar por mudar, mudar para parecer moderno, jovem, atual ou avançado, sendo esta mudança superficial, obviamente, não deve ser a meta de nenhum sistema educacional que objetive a qualidade das suas ações.  As transformações deste sistema devem atender exclusivamente às melhorias nas possibilidades de desenvolvimento dos potenciais humanos. Mormente, aqueles que levarão os indivíduos a estabelecerem uma relação mais profícua e harmoniosa consigo mesmo, com os outros e com a natureza.
Por outro lado, devemos mesmo reconhecer que não é fácil mudar. A mudança gera desconforto, insegurança, medo. O novo, por vezes, assusta. Não nos acostumamos (boa parte de nós) a lidar com as incertezas, as imprevisibilidades, com o acaso como principal parceiro do nosso destino. Preferimos, muitas vezes, lidar com a monotonia da rotina, com a certeza de já ter visto esse filme e nunca ficarmos chatedos se alguém nos conta o final, pois também já sabíamos.
Ter coragem para mudar, entretanto, é tão necessário quanto urgente, quando constatamos que o preço da manutenção de comportamentos atávicos é o fracasso na vida de centenas de milhares de crianças e jovens que não conseguem aprender nesta escola que aí está.  Quantas vezes teremos que repetir aos saudosistas de plantão, que o mundo mudou, o mundo mudou, o mundo mudou, o mundo mudou, o mundo mudou!!! Acho que nem eles gostam dessa repetição...
  


terça-feira, 7 de setembro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Sex machine???



Pediram-me para que eu opinasse sobre uma matéria exibida ontem (05/09/2010), no programa dominical Fantástico, que discutia uma iniciativa do Governo Federal de colocar máquinas que distribuem preservativos em escolas públicas do ensino médio. Reproduzo, abaixo, o vídeo com a reportagem, para aqueles que, como eu, também não assistiram ao programa.
Apresentarei, aqui, meu ponto de vista sobre o tema. Mas, de saída, preciso deixar claro que não é um assunto sobre o qual eu tenha domínio. As questões relativas à educação sexual  e à saúde pública, nunca ocuparam lugar central em meu espectro de interesses. Sendo assim, ficarei tão satisfeito quanto aliviado, se algum dos visitantes desse blog puder trazer argumentos mais consistentes, para que, coletivamente, possamos refletir melhor sobre a referida iniciativa governamental.
Eu sou a favor da facilitação ao acesso da camisinha para os adolescentes. A ação do Ministério da Saúde se baseia em dados que apontam que essa população já tem uma vida sexual ativa. Contudo, nem todos eles dispõem de informação para solicitar os preservativos nos postos de saúde ou poder aquisitivo para comprá-los na farmácia. A distribuição gratuita e anônima, realizada por uma máquina colocada nos banheiros das escolas, pode (talvez!!!) levar a uma popularização do seu uso e uma consequente diminuição da proliferação de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e dos índices de gravidez precoce e indesejada.
Em relação ao argumento de que o acesso livre aos preservativos, em ambiente escolar, banalizaria o ato sexual e induziria os adolescntes a uma prática indiscriminada, creio que é uma posição preconceituosa, de quem não tem paciência para observar os comportamentos humanos. Não me consta que adolescentes (e também adultos) saudáveis precisem de fatores externos para "motivá-los" à prática do sexo. Logo após a puberdade, o sexo passa ser o tema central dos pensamentos, sonhos e conversas dos meninos e meninas que ainda estão se acostumando como seu corpo "novo". As únicas coisas que os impedem de transformar essas "imagens mentais" em atos são a timidez, a falta de oportunidade de ficarem a sós, a falta de parceiros (as) ou uma sólida educação familiar, que os levem a refletir se aquele/a é o/a momento/pessoa ideal para dar vazão ao seu desejo. 
Pensar que a grande maioria dos adolescentes, diante da possibilidade de ter uma relação sexual, não o fará por que não dispõe de preservativo no momento, é apostar demais numa racionalidade que, definitivamente, não entrará em jogo nessas situações. Quando observamos os números sobre a AIDS, vemos que mesmo os adultos não têm o auto-controle esperado para os adolescentes, sabidamente mais impulsivos e inconsequentes. Se a camisinha não motivará, e a falta dela não impedirá a concretização do ato sexual, tê-la à mão neste momento pode sim evitar que se corram riscos desnecessários e sofram consequências desagradáveis pelo resto de suas vidas. 
Quanto à ideia de que a distribuição de camisinha banalizaria o sexo, é só ficar atento aos meios de comunicação para perceber que o sexo já está banalizado. Nos noticiários, nos programas de auditório vespertinos, nas novelas infanto-juvenis, nos vídeos "acidentalmente" postados na internet, enfim, temos uma banalização e vulgarização do comportamento sexual. E, nesse sentido, nossa sociedade ainda guarda a hipocrisia habitual em relação ao assunto, pois acha o máximo quando as celebridades revelam na TV qual o lugar mais "estranho" que já fizeram amor, mas querem expulsar alunos que foram pegos no banheiro da escola. 
Temos que aprender com a experiência. Esta experiência que se revela por meio das estatísticas, que evidenciam que o não enfrentamento da questão, por tabus, preconceito ou desinformação, resultou em AIDS, DSTs, mães e pais precoces e abortos clandestinos. É dever da sociedade preservar a saúde das crianças, adolescentes e jovens, bem como seu futuro, seus sonhos e sua felicidade. E isto certamente inclui a prática responsável do sexo.


sábado, 28 de agosto de 2010

Como se fosse gente grande...







O livro do Philippe Ariès - "História Social da Criança e da Família" - é uma referência obrigatória para quem quer compreender as mudanças na concepção de infância na nossa cultura ocidental. Nesta obra, o autor descreve a maneira como se lidava com os infantes, que, para o pensamento da época, não passavam de "adultos em miniatura", expressão que já ficou popular dentre os que tratam do tema.
"Rainha Henrietta Maria"
Frans Pourbus Séc XVI
Mais recentemente, ainda em nossa cultura, com a diminuição da taxa de natalidade e o aumento da probabilidade de sobrevivência, resultado dos avanços sócias e das condições de saúde, os filhos das classes sociais com algum poder aquisitivo, deixaram de ser importantes na composição do orçamento doméstico. A concepção de criança foi sendo pouco a pouco "infantilizada". Com os avanços das teorias psicológicas, passou-se a enxergar os primeiros anos de vida como uma etapa diferenciada no desenvolvimento das pessoas, com repercussões duradouras sobre o restante de suas vidas.
"Retrato de Criança"
Mirabello Cavalori Séc. XVI
A infância seria, portanto, uma fase de liberdade, onde a felicidade deve estar sempre presente (pelo menos, em tese), e quem se encontra nesta etapa da vida, caracteriza-se por diferenças não apenas quantitativas, mas principalmente qualitativas,em relação àqueles que a ultrapassaram.
 A despeito de toda essa mudança na maneira de se conceber a infância, os tempos atuais parecem querer reviver a idéia de criança como "adulto em miniatura". Se o trabalho infantil é visto como nocivo para o bom desenvolvimento, sendo combatido pelas autoridades e organizações pró-criança, o consumo nessa faixa etária ainda não parece incomodar aqueles que fazem nossas leis.
O que resulta desse descaso de uma parte da nossa sociedade (família, governo, escola), é uma "brecha" significativamente bem aproveitada por uma outra parte (indústria, comercio e serviços), que se utiliza do lugar central das crianças nas famílias de hoje, para induzi-las ao consumo desenfreado, inculcando e antecipando em meninos e meninas, aspectos negativos do comportamento de homens e mulheres, cada vez mais preocupados com o acúmulo material, com a aparência, com a frivolidade e a ostentação.
O primeiro vídeo exibido nesta postagem é um trailer de um documentário intitulado "Criança, a alma do negócio", que pode ser baixado no site http://www.alana.org.br/, de uma organização que objetiva discutir o consumismo infantil. Há um outro documentário, sobre o mesmo tema que pode ser assistido no youtube, que se chama "Consumo de crianças - a comercialização da infância".
Os demais vídeos, são matérias sobre a vaidade infantil, um dos principais motores do consumo, já que a indústria da beleza dispõe de um leque bastante amplo de possibilidades (e preços!!!) para aqueles que desejam (ou são levados a desejar) estar sempre acompanhando as tendências da moda. É importante salientar, que nenhum dos comportamentos resultantes da influência da mídia sobre as "necessidades" da criança, são inofensivos. Além de moldar valores, eles podem ter um consequências nefastas para a própria saúde.
Vale a pena conferir!!!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Educação familiar 2.0


Gagueira não tem graça, tem tratamento!





Resolvi repetir no título desta postagem o slogan de uma campanha que achei muito interessante, pois tenta conscientizar a população a respeito de um assunto sério, que costumamos abordar quase sempre de maneiras cujo limite entre o bom humor e o desrespeito não são muito nítidos: a gagueira.
Temos visto, ultimamente, esforços de varios segmentos da sociadade, como o objetivo de fazer valer os seus direitos enquanto cidadãos. Esses direitos que foram negados ao longo da nossa história, pelo simples fato de que algumas pessoas detentoras de poder e prestígio estabeleceram um padrão de normalidade que refletia a própria imagem delas.
É verdade que a aceitação das diferenças tem sido um tema frequentemente debatido nos diversos espaços sociais e foros de discussão e que muitas ações têm nascido desse empenho para que todos tenham oportunidades de realização das suas potencialidades enquanto seres humanos. Sabemos, entretanto, que estas idéias ainda levarão um bom tempo para se transformarem em elementos culturais plenamente integrados aos nossos comportamentos de acolhimento e tolerância em relação àqueles que possuem características físicas e/ou psicológicas que fogem ao nosso padrão ideal de constituição física/comportamento. 
A gagueira, assim como outros problemas de comportamento, pode parecer engraçada aos olhos de quem assiste, mas é certamente um sofrimento para aqueles que necessitam se comunicar e são alvo de todo tipo de interferência - da gozação à repreensão - fruto da imcompreensão da maioria das pessoas sobre o que é este problema e quais os prejuízos que ele acarreta à vida de quem tem dificuldade de fluência
Já que nossa escola tem buscado ser uma escola da inclusão, uma escola de todos, os vídeos foram selecionados para essa postagem (há muito mais no youtube) com o intuito de ajudar os professores - atuais e futuros - a saber um pouco mais sobre esse problema relacionado à linguagem, como se comportar diante de quem apresenta e quais são os riscos para aqueles que falam desta maneira, quando a escola não tem as suas ações pedagógicas calcadas no princípio de respeito às diferenças.



segunda-feira, 26 de julho de 2010

Palmadas: sim, não ou talvez?

Atendendo a pedidos, estou iniciando uma discussão sobre o polêmico projeto de lei que quer proibir os castigos físicos na educação de crianças e adolescentes, também conhecido como lei contra as palmadas. De saída, devo deixar claro que sou contra a palmada (veja postagem na página Família e Escola). Não vou tomar o caminho daqueles que argumentam que apanharam (ou não) e hoje são "boas pessoas". Diante de tantos fatores que interferem no desenvolvimento do sujeito, não dá pra se fazer uma relação consistente entre o efeito das palmadas (quantas vezes, por quais motivos, com que força, etc., etc.) e a constituição da personalidade (o que é mesmo ser uma boa pessoa, ou uma pessoa de bem?).
Na minha modesta opinião, de quem ainda não teve flhos para ser desafiado pela experiência, a palmada é um ótimo recurso... ...pra quem bate!!! A palmada aparece quando faltam os argumentos, quando a autoridade acaba, quando cessa o diálogo e a paciência se esgota. A palmada acalma, descarrega a tensão, relaxa mesmo... ...quem a desfere. Qualquer justificativa que ressalte o caráter pedagógico da palmada, é uma tentativa de aliviar a culpa pela falta de recursos para lidar com a inerente desobediência infanto-juvenil (veja as explicações da Susana Herculano-Houzel, na página de Neurociência).
A palmada põe um ponto final no comportamento desobediente, resolvendo mais celeremente o impasse entre pais e filhos. Educação, todavia, não se faz com ações de objetivos a curto prazo. Nossa experiência nos mostra, que aquilo que tem um baixo custo no presente, pode trazer prejuízos com o passar do tempo. A boa educação, tem que visar o futuro, e a palmada não prepara para ele, pois não dá nenhum recurso à criança ou ao adolescente para que estes possam refletir posteriormente sobre seus erros e optar por atitudes mais adequadas.
Apesar de ser contra a palmada, porém, não sei, ainda, se sou a favor da lei que a proíbe, proposta pela deputada Maria do Rosário do PT do RS (para ler o texto e construir uma opinião mais abalizada clique aqui). Penso que a lei poderá ter as mesmas características daquilo que ela tenta coibir: suprime o diálogo, inibe a reflexão e  diminue a autonomia. No seu texto, o projeto fala sobre o papel do Estado na divulgação de uma nova cultura educacional que prescinda dos castigos físicos. Na prática, será que poderemos esperar que essa divulgação a conteça? Não é o que temos visto, principalmente se tomarmos o exemplo bastante recente da chamada lei seca, que salvou centenas de milhares de vidas logo após a sua implantação e que, pouco tempo depois, caiu em completo desuso.
Espero que os comentáros que apareçam em função desta postagem me ajudem a refletir melhor sobre essa ação do governo e que eu possa me posicionar com mais clareza sobre o tema. Por enquanto, seguirei com essa dúvida metódica, até achar um bom argumento ao qual me agarrar. Portanto, ajudem-me a pensar, senão...






Para ler:

sábado, 24 de julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Não deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã!





Pela primeira vez eu fiquei duas semanas sem fazer nenhuma postagem no blog. Inicialmente, porque eu queria ver como se comportavam as visitas sem a minha insistente propaganda no orkut. Mas, depois, outras coisas foram aparecendo e eu fui adiando, olhando uns vídeos aqui, uns textos ali, umas charges acolá, e nada... Nem uma postagenzinha!
Comecei a criar justificativas para o que estava acontecendo, do tipo: "o blog precisa andar com as próprias pernas" e outras bobagens do gênero. Foi aí que me toquei que estava fazendo algo muito habitual no meu comportamento: procrastinando!
Para quem ainda não está habituado com o termo - que é até um pouco difícil de pronunciar -, procrastinar, em bom português, significa enrolar, empurrar com a barriga, adiar sem motivo. O lema maior do procrastinador é o que encontramos no título dessa postagem: "Não deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã".
Em se tratando de comportamento escolar/acadêmico, a procrastinação tem um efeito extremamente nocivo, e uma amostra disso é o documentário acima, produzido por um procrastinador assumido. Muitos pós-graduandos, inclusive (e o autor desse blog é um deles), tem sérios problemas com prazo, não por tê-los muito apertados, mas, justamente, por imaginarem ter tempo suficiente, subdimensionando a dificuldade da tarefa, acreditando erroneamente que ela poderá ser executada sem esforço, num instante.
É muito, mas muito comum vermos estudantes sofrerem em época de avaliação, justamente por não escutarem o que nossas queridas professoras nos ensinavam lá nos anos iniciais da nossa trajetória escolar: não deixe para estudar na véspera da prova! Mas, infelizmente, o que vemos são crianças e jovens prejudicarem o próprio processo de aprendizagem, tentando assimilar grande quantidade de conteúdo em pouco tempo, com níveis altíssimos de ansiedade e muitas vezes abrindo mão de um elemento essencial para a consolidação do que deve ser aprendido: as horas de sono.
Como qualquer limitação humana, se não traz grandes prejuízos ou sofrimentos a nós ou a outrem, podemos conviver com elas e até fazer um plano pessoal (que não seja somente uma promessa no dia 31/12) de melhoria e superação. Mas, se esse comportamento é mais recorrente do que gostaríamos e se frequentemente você se lamenta por ser assim, creio que estaja na hora de procurar um especialista...



sexta-feira, 9 de julho de 2010

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Dupla face.



A última postagem, sobre a utilização da lousa digital em sala de aula, suscitou vários comentários, principalmente alertando para as dificuldades e impacto negativo da utilização das chamadas novas tecnologias em educação. Procurei dialogar com todos, entendendo que este é um dos objetivos desse blog, qual seja: promover o debate entre pontos de vista convergentes, divergentes ou complementares.
Influenciado, pois, pelos "comentaristas" da postagem, a quem quero mais uma vez agradecer, resolvi abordar um assunto que atenderá a duas finalidades: Primeiro, mostrar um outro lado, certamente perverso, do avanço tecnológico e ratificar a idéia de que o homem deve ser preparado para a utilização da tecnologia, e não se deixar "levar" por ela; Segundo, apresentar um tema que vem ganhando notoriedade na literatura educacional e psicológica, e tem sido uma grande preocupação de educadores de uma maneira geral: o bullying.
Antes de classificarmos qualquer coisa que tenha sido criada ou utilizada pelo homem como boa ou ruim, devemos estar atento à multiplicidade de possibilidades da sua utilização. Como eu já disse na resposta ao comentário do professor Sinval (na postagem abaixo), não creio que nada seja bom ou ruim em si mesmo, que tenha um valor intrínseco. Quanto mais complexo se torna um elemento da cultura, maiores são as possibilidades de variar a sua utilização, dependendo da necessidade e do contexto. Assim acontece com as chamadas novas tecnologias. Certamente, elas trouxeram e trarão malefícios e benefícios, cabendo à própria sociedade minimizar os primeiros e maximizar os últimos.
A violêcia contra o outro, sempre presente no comportamento humano, vai ganhando formas e veículos diferentes, na medida em que são inventados novos meios de intereção social. O chamado cyberbullying é uma dessas mais recentes mutações da vocação humana para subjugar, constranger, humilhar e agredir o(s) outro(s), que tem se utilizado principalmente da internet como campo de ação.
Para podermos entender melhor esse mais novo item no nosso repertório de comportamentos indesejáveis, vale a pena assistir o vídeo abaixo. Para compreender mais ainda sobre o tema, vale muito a pena conferir a primeira colaboração ao blog, realizada por Elvira Pimentel, que fez uma postagem sobre bullying, na página dedicada à Violência Escolar. Para complementar a leitura sobre o tema, você pode conferir a revista Nova Escola deste mês, que dedica a sua reportagem de capa à discussão sobre o cyberbullying.



Conecte-se:

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Lousa digital, professor analógico, educação anacrônica...

O professor Carles Monereo, da Universidade de Barcelona, chama a atenção, numa palestra sobre avaliação, que pode ser assistida no youtube, que os alunos de hoje nasceram em um mundo de "telas". São as telas dos jogos eletrônicos, dos celulares, dos computadores, etc. Estes alunos são, ainda segundo Monereo, nativos digitais, enquanto que nós professores somos imigrantes no uso destas chamadas novas tecnologias.
Nada mais justo, então, que preparar esses jovens para a vida, com as ferramentas que a vida exigirá deles. Isso significa dominar não somente os conhecimentos necessários para lidar consigo mesmo, com o outro e com o ambiente, mas também ter um domínio da tecnologia que envolve e dá suporte a esses conhecimentos.
Não se deve esquecer, entretanto, que toda mudança significativa na maneira de educar requer mais trabalho para o professor. Mesmo que novos métodos ou tecnologias venham tornar mais eficientes as práticas pedagógicas, o professor terá sempre que realizar um esforço de mudança, lidar com a insegurança diante do novo e assumir novas responsabilidades, para as quais ele não foi devidamente preparado. Estudos sobre a saúde do professor têm demonstrado que o aumento de exigências e expectativas da sociedade para com as funções docentes têm sido algumas das principais causas de adoecimento dessa categoria.
No entanto, temos que admitir que o avanço tecnológico é irreversível. Quem estiver em sala de aula pelos próximos cinco ou dez anos certamente vai se deparar com a necessidade incontornável de aprender a utilizar esses novos instrumentos de auxílio à aprendizagem, aposentando definitivamente a lousa e o giz. Preparemo-nos, então, para o futuro!
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Muita coisa ja foi escrita sobre as chamadas tecnologias da informação e da comunicação (TICs), bem como sobre e-learning e EAD, suas representantes no campo educacional. Como este é um blog sobre psicologia e educação, vou recomendar um livro que faça uma relação entre essas temáticas. Organizado pelos professores César Coll e Carles Monereo (já citado acima), da Universidade de Barcelona, "Psicologia da Educação Virtual: Aprender e Ensinar com as Tecnologias da Informação e da Comunicação" (Artmed, 2010) é um livro que pode nos ajudar a refletir sobre o impacto das TICs no ensino e na aprendizagem, do ponto de vista da psicologia da educação.






sexta-feira, 25 de junho de 2010

A voz do excluído!

Paira sobre o pensamento dos nossos professores e professoras a idéia que os alunos se dividem em dois grupos, a saber: o dos que não querem nada e o dos que querem alguma coisa, sendo o primeiro muito maior do que o segundo.
Reside nesta classificação simplista, uma concepção de motivação, que devemos questionar. Primeiro, por que concebe a motivação como algo que deve existir previamente, talvez seja inata, e não algo que se constrói na relação com o objeto que deve provocar o interesse. Segundo, por que responsabiliza os alunos por não gostar de algo do qual toda a trama histórico-política-social-e-econômica tem como objetivo fazer com que ele não goste e que abandone o quanto antes. Terceiro, por que não consegue enxergar que os alunos querem sim muita coisa, mas não querem de qualquer jeito; não querem desse jeito que está aí...
Esta maneira de pensar tem uma outra consequência bastante grave: a de levar os professores a discriminar os seus alunos, principalmente os oriundos de famílias de baixa renda. Em verdade, existem escolas onde podemos perceber nos semblantes e nas falas dos professores, que, para eles, aqueles alunos não deveriam estar ali. Não deveriam tomar o precioso tempo deles, posto que, no imaginário desses profissionais, a educação escolar não romperá a impermeabilidade mental desses estorvos da sociedade. E assim, se perpetua nocivamente uma idéia bíblica: a quem tem, mais será dado; a quem não tem, o pouco que tem lhe será tirado...
Não deve sair do pensamento de nenhum educador, seja parente ou profissional, que crianças e jovens constroem a sua identidade a partir do "outro". Ou seja, precisamos do olhar  - e da voz e das ações - do outro em nossa direção, para sabermos quem somos. O adulto significativo (pais, professores, etc.) serve como um espelho que reflete a imagem que o sujeito em desenvolvimento tem de si. Se nós refletimos insistentemente uma imagem negativa de nossos alunos, é assim que eles passarão a se ver e se comportarão de acordo com essa expectativa. Porém, se buscamos nesses alunos, pontos positivos, que podem ser espelhados para que eles se vejam como capazes de realizar coisas boas, é bastante provável que eles gostem dessa imagem e resolvam adotá-la como definitiva.
O depoimento postado abaixo é uma reflexão muito lúcida, de um ponto de vista que tem sido pouco abordado: o de um aluno, de quem muito se fala, mas pouco se escuta. Sei que toda história tem tantas versões quanto envolvidos. Mas essa é uma versão que não deve mais ser negligenciada, se o que realmente buscamos é a solução para o triste caso da nossa educação.


sábado, 19 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Aos mestres, com preocupação...

Como podemos ver, o resultado da nossa enquete aponta para a precária formação docente como o principal problema da escola pública brasileira. Sabemos que a análise dessa indicação não pode ser realizada de maneira simples, sob pena de reduzir esta realidade a algumas poucas relações causais, o que no impediria de enxergar boas soluções para os entraves em questão.
Mesmo tomada isoladamente, a formação docente é um elemento que envolve uma série de fatores de ordem histórica, política, econômica, epistemológica, ideológica, e mais tantos outros que poderíamos citar. Durante a vigência da enquete, muitos disseram ser difícil escolher uma dentre as muitas opções, já que todas elas contribuiriam para os problemas da nossa educação.
Concordei com todos, mas mantive a restrição às múltiplas escolhas com o intúito de ter uma idéia da "tendência" do pensamento da maioria. No final do século passado, estudos que fizeram perguntas semelhantes aos professores e diretores da escola pública, revelaram que estes acreditavam que os problemas educacionais se encontravam predominantemente no aluno e em sua família. Certamnte, o público votande do blog tem um perfil diferente. Contudo, pode até nos dar uma certa esperança o fato de que a mudança de foco (vejam que família e aluno foram os menos votados) leve a pensar que para melhorar os indicadores educacionais é preciso mudar a educação e os educadores, e não tentar adequar os educandos.
Para finalizar, apresento uma breve dica do professor Mario Sérgio Cortela sobre as qualidades do bom professor.


sábado, 5 de junho de 2010

Educação em preto e branco!

Muitas escolas ao redor do mundo oferecem o xadrez como atividade obrigatória ou optativa de seus currículos. Esse jogo milenar tem sido utilizado como uma ferramenta pedagógica para ajudar os alunos e alunas a cultivarem o prazer da atividade intelectual. Há uma crença generalizada de que a prática desse jogo ajudaria a desenvolver o raciocínio lógico-matemático, a concentração, as habilidades espaciais, bem como o auto-controle, e que esses ganhos alcançados no contexto enxadrístico se estenderiam a outras esferas da vida dos praticantes.
Embora os resultados das pesquisas não corroborem, ainda (!!!), essas crenças (vale a pena ler o artigo do Fernand Gobet, no livro cuja foto aparece ao lado), o fato é que, aqueles que jogam xadrez nas escola parecem melhorar a sua relação com os estudos e, consequentemente, o desempenho escolar. Resolvi postar esse vídeo curtinho para chamar a atenção de uma excelente matéria, realizada no Distrito Federal, sobre uma escola que conseguiu diminuir os índices de violência, implantando o xadrez como atividade curricular. Veja na página sobre Violência Escolar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Emilia Ferreiro e a alfabetização!


Desde a década de 1980, quando Emília Ferreiro publicou as suas pesquisas sobre aquisição da língua escrita, este campo teórico nunca mais foi o mesmo. As idéias dessa pesuisadora Argentina, que se doutorou em Genebra, sob a orientação de Jean Piaget, repercutiram em todo o mundo e milhares de pesquisas foram realizadas com crianças na fase inicial da escolarização (e até com jovens e adultos), tendo os seus achados como referência.
Aqui no Brasil não foi diferente. Muito se falou e escreveu sobre a "alfabetização construtivista" e vários cursos de "capacitação" foram (e ainda são) oferecidos a professores alfabetizadores. Infelizmente, toda essa movimentação não parece ter atingido os resultados esperados. Nossas crianças, nossos jovens, e até mesmo os adultos, ainda sofrem para aprender a ler e escrever, e a qualidade dessa aprendizagem parece piorar a cada ano letivo.
Não é gratuita, portanto, a dura crítica que a autora endereça aos brasileiros por travarem debates, na sua opinião, infundados e infrutíferos. Talvez o resultado desses devaneios teóricos se materializem na incapacidade que muitos dos nossos alunos, que cursam séries avançadas do ensino fundamental (e até do ensino médio), de se apropriarem do significado de pequenos textos ou de escreverem algo que tenha sentido para qualquer leitor competente.
O vídeo acima - um trecho de uma conferência da própria Emília Ferreiro - objetiva trazer a baila o debate sobre as questões relativas à alfabetização, além de chamar a atenção dos internautas para a nova página deste blog, intitulada Alfabetização e Letramento. Acessem, participem, critiquem, sugiram e divulguem!


Livros sobre Emília Ferreiro e sua teoria:



sexta-feira, 21 de maio de 2010

Contra a violência, de tudo um pouco!

Confesso que, de todos os assuntos tratados nesse blog, a violência escolar é o que mais me preocupa ultimamente. Essa preocupação se dá não só pelo crescimento do número de casos (pela pesquisa que já fiz, consigo postar um vídeo por dia, sem repetir, durante um bom tempo), mas também por que essa violência sintetiza todos os problemas de estrutura sócio-econômica, familiar e escolar,  materializando-se nas agressões a professores e alunos, por quem participa, ou não, do contexto escolar.
Já passou da hora de toda sociedade se mobilizar para mudar o curso dessa trajetória, que, se continuar no rumo em que está, vai nos levar, muito em breve, a uma convivência insuportável.
A matéria postada abaixo tem o mérito de reunir, em pouco tempo, vários elementos importantes para ajudar a direcionar nossas ações preventivas e remediativas no que diz respeito à violência escolar. São estes: responsabilidade distribuída (sociedade, família, escola), qualificação docente (atenção Universidade!), identificação de padrões, antecipação/prevenção, perspectiva de futuro para os jovens, respeito mútuo, ética, etiqueta, relação família-escola, sobrecarga escolar, resolução de conflitos, educação pelo exemplo e conhecimento do desenvolvimento humano... Ufa!
Dá pra ter uma idéia da complexidade do problema. Não adianta culpar a escola, não adianta culpar a família, não adianta chamar a polícia. Temos que aprofundar o debate e acelerar as ações, pois, por enquanto, ainda dá tempo.



Para conhecer mais, acessem a página dedicada à violência escolar e baixem os livros editados pela UNESCO, que trazem reflexões teóricas, dados sobre a violênca escolar no Brasil e possibilidades de prevenção.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Limites e Superego.

A discussão sobre limites tem sido recorrente no campo da educação escolar e familiar. O número de publicações encontradas nas prateleiras das livrarias evidencia a necessidade do público leigo e dos profissinais da área de saber mais sobre assunto tão crucial para a educação de filhos e alunos. Neste trecho do programa Café Filosófico, da TV Cultura, que pode ser assistido na íntegra no YouTube, vemos uma discussão interessante sobre o tema, à luz de conceitos psicanalíticos.
Quero aproveitar a abordagem teórica do tema para anunciar a nova página do blog, que reunirá vídeos, textos e discussões acerca da Psicanálise e suas interfaces com a educação. Visitem!!! O link se encontra à sua direita, na seção Teorias.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Olhai os movimentos sociais...

Será que não está bastante evidente que o nosso modelo de escola pública já, há muito tempo, não cumpre seu papel? Se continuarmos insistindo na idéia anacrônica de empurrar conteúdos escolares goela abaixo dos nossos alunos, nos distanciaremos, cada vez mais, do ideal de uma educação universalizada e de igualdade de oportunidades.
As mudanças na escola pública que atende às camadas de baixa (ou baixíssima) renda, devem ser mais radicais que a simples adoção de "novidades" didáticas, que costumam ter uma vida útil tão curta quanto um aparelho de celular se mantém como novidade. É necessário mudar a filosofia que fundamenta as ações da escola, adequá-la aos estudantes reais que ultrapassam diariamente o portão das escolas.
Observar o que têm feito os movimentos sociais é um bom começo para que os mais pessimistas possam ver que é possível mudar a rota de crianças e jovens tidos como rumando, inexoravelmente, em direção ao fracasso, às drogas, à criminalidade.
Enquanto na "sala da injustiça" das nossas escolas, os alunos aprendem que não têm valor algum, é surpreendente ver como os educadores sociais usam de elementos ligados à reconstrução da auto-imagem daqueles que participam dos projetos. O resultado disso fica evidente na formulação de projetos de vida, até então inexistentes para muitos desses participantes.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Autoridade!

Como é possível manter a autoridade, mesmo depois de um erro? Sim, por que autoridades também erram, embora nem todas gostem de admitir. Mas, não podemos mais fingir que não erramos ou tentar "virar o jogo" fazendo mau uso da nossa autoridade e colocando a culpa em quem questiona. Uma idéia: auto-controle! Tudo o que o aluno quer é ver o professor descontrolado na sua frente. O professor que age assim, entretanto, está perdendo a sua autoridade, já que, precisará sempre de mais e mais, até o momento em que se esgotará e engrossará a fila dos afastamentos por stress ou coisa parecida.
Esse vídeo extraído de uma partida de futebol, ilustra bem uma situação de uma autoridade que erra e precisa manter o auto-controle. Primeiro, para baixar a temperatura emocional, como diria Henri Wallon; segundo, por que o erro foi notório e não cabia voltar atrás... Vamos aprender com os exemplos, mesmo que seja de um simples jogo de bola.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Avaliação

Se você é um desses alunos ou alunas, que no meio da avaliação, cruza as pernas, bate com a caneta na carteira e olha para o teto com o pensamento no espaço, achando que lá as coisas podem ser bem melhores: ledo engano!
Olha como os extraterrestres fazem as suas provinhas:




A sonoplastia do vídeo acima foi modificada. Para assistir ao vídeo com o som original, copie este endereço e cole na barra de navegação:
http://www.youtube.com/watch?v=BzP48xaz1_U

Imitação



         Há um aspecto que parece ter sido esquecido entre nossos educadores, sobre os processos de aprendizagem humana: boa parte do nosso comportamento foi adquirida por meio da imitação. A evolução filogenética nos legou esse poderoso mecanismo de adaptação. Sendo a linguagem algo relativamente recente em nossa história evolutiva, não poderíamos contar com a instrução direta para responder às demandas do meio com comportamentos que não fossem inatos. Sendo assim, poder observar alguém realizando algo e, posteriormente, replicar esse comportamento foi uma sábia solução da natureza. Michael Tomasello, no livro "Origens Culturais da Aquisição do Conhecimento Humano", chega a afirmar que "crianças entre um e três anos são, em muitos sentidos, 'máquinas de imitação'"(pg. 71).
A importância de levarmos em consideração este aspecto imitativo da aprendizagem reside em pelo menos dois pontos importantes, quais sejam: Em primeiro lugar, a imitação garante um repertório mínimo de comportamentos que podem ser adquiridos tanto na ausência da linguagem, quanto na falta da própria intenção de ensinar estes comportamentos, sendo, portanto elemento crucial para a transmissão cultural.
Em segundo lugar, trazendo a reflexão para o nosso campo de atuação profissional, creio que a pouca importância que é atribuída ao tema da imitação traz conseqüências pouco proveitosas para a educação formal. De muito pouco adianta dizermos aos nossos educandos – sejam eles filhos, alunos ou mesmo professores em formação - o que fazer, se não reforçarmos essas instruções com exemplos. Um filho ou aluno sistematicamente desrespeitado, ficará refratário às recomendações de respeito. Um futuro professor ensinado por meios não-construtivistas, não saberá atuar de forma construtivista, apenas lendo os teóricos da área.
Escolhi esses dois exemplos, por que têm sido recorrentes no meu trabalho como professor de futuras/os pedagogas/os. Infelizmente, tenho constatado que ainda há uma fé - que, se não é cega, tem muitos graus de miopia - na força do discurso para modificar os comportamentos de outrem. Não há como não lembrar o popular "faça o que eu mando, não faça o que eu faço"... Sem abandonarmos essa idéia, tão antiga quanto inadequada, não vamos ajudar ninguém a assumir idéias novas e mais inteligentes.



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Caindo na rede...

Todo início de semestre eu repito as mesmas queixas: - antes da reforma dos cursos de licenciatura, tínhamos uma carga horária generosa das disciplinas de psicologia. Agora, o tempo é tão exíguo, que mal dá pra apresentar o histórico de alguns autores e suas principais contribuições, no mesmo semestre letivo!
Exageros a parte, este blog é mais uma tentativa (as outras são: cursos de extensão, grupos de estudo e disciplinas optativas) de ampliar o acesso aos conhecimentos produzidos pelas psicologias (geral, da educação, da aprendizagem, do desenvolvimento...), para os professores em formação.
Minha pretensão é que se torne um espaço interativo, onde todos possam aprender e ensinar. Que seja um ponto de encontro no ciber-universo para aqueles que, como eu, têm muitas dúvidas sobre como a psicologia pode nos ajudar a ser bons professores.
Sejam bem vindos e divirtam-se!!!
Iron Alves.
Em tempo: Em caso de despressurização, máscaras de oxigênio cairão automaticamente à sua frente. Lembramos que os assentos são flutuantes...