sexta-feira, 30 de setembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Do mau humor ao humor que faz mal!




Não há dúvida de que, a cada dia que passa, a profissão docente se torna mais estressante. Um dos fatos (embora não seja o único) que atestam a veracidade desta afirmação é o elevado índice de afastamentos docentes por problemas de saúde. Um outro elemento que reforça essa ideia - embora de maneira indireta -  é o crescente número de pesquisas sobre burnout entre docentes. Se buscarmos no SCIELO (www.scielo.br) pelo termo burnout e depois refinarmos os resultados com o termo professores, iremos encontrar 15 artigos publicados sobre o tema a partir do ano de 2002, sendo que praticamente a metade (sete!) apareceu nos últimos três anos. Segundo Trigo, Teng e Hallak (2007)"o termo burnout é definido, segundo um jargão inglês, como aquilo que deixou de funcionar por absoluta falta de energia. Metaforicamente é aquilo, ou aquele, que chegou ao seu limite, com grande prejuízo em seu desempenho físico ou mental". 
Sim! Os professores estão no seu limite!!! Não é de se estranhar, portanto, que muitos abandonem a profissão, enquanto que aqueles que permanecem possam chegar ao absurdo de apresentar os comportamentos revelados pelas imagens dos vídeos acima. Não se trata de defender nem condenar sumariamente estes ou outros professores por atitudes semelhantes. Está claro que não podemos simplesmente considerar qualquer ato de violência, física ou psicológica, como natural.  Mas também está claro que necessitamos agir com urgência, eliminando os fatores de risco, pois, mantendo-se o cenário atual, podemos esperar acontecimentos bem mais drásticos num futuro mais próximo do que imaginamos.
Não menos drástica, entretanto, é a solução encontrada por alguns professores para lidar com a construção (???) do conhecimento em sala de aula. Como podemos comprovar nos vídeos postados abaixo, alguns docentes resolveram aderir ao lema "se não pode com eles, junte-se a eles"! Sob a justificativa de tornar o conhecimento mais atraente ou de falar a linguagem do aluno (que em um dos vídeos é associado a cliente), os professores usam termos chulos e até mesmo distorcem a história. Esta trágica opção para manter a atenção dos alunos e uma possível facilidade de recordação do conteúdo no futuro, na minha opinião, ajuda a banalizar  e desqualificar ainda mais o trabalho docente, pois confunde bom professor com animador ou palhaço, e associa os professores sérios (carrascos, caxias, cdfs) a maus professores.
Além disso, existe uma probabilidade muito grande dos alunos simplesmente distorcerem o conhecimento, já que estabelecem relações completamente arbitrárias entre o conteúdo e a forma como é veiculado, sem uma preocupação com a compreensão. É possível que lembrem a piada, mas não lembrem a que assunto se referem, nem como utilizar o conteúdo recordado para resolver a situação problema.
Um outro malefício destas aulas tipo "stand up comedy" é que ensina ao aluno que não se deve investir esforço e empregar estratégias de aprendizagem mais profundas com o objetivo de construir um conhecimento mais consistente e organizado. Têm-se a impressão que tudo pode ser aprendido na base do "macete", do atalho, do caminho fácil, que, na verdade, não leva a lugar nenhum, a não ser à tristeza de saber que por último ninguém vai rir...





quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O preconceito de um "macho adulto branco".






Talvez eu seja um sujeito excessiva ou ingenuamente otimista. Talvez... Mas, em oposição aos saudosistas de plantão, que, ao mesmo tempo que se regozijam por terem vivido uma época de ouro (sabe-se lá quando foi isso!), lamentam profundamente pelos que vivem na atualidade e pelos que viverão um futuro não muito distante, acredito que estamos vivendo um período de importantes mudanças em processo.
Entre essas mudanças, a aceitação da diversidade da espécie humana é a que mais me chama a atenção. Não me recordo (e isso pode ser só um equívoco de memória) de ter visto há 30, 20 anos atrás, tantos movimentos sociais e ações governamentais (decorrentes destes movimentos) para que direitos e oportunidades relativas à vida cidadã fossem repartidos de maneira igualitária. Grupos que historicamente foram alijados da melhor fatia do bolo da vida social, como a participação política, educação, saúde, moradia, emprego, renda e o consequente consumo, hoje têm um cenário mais favorável. Mulheres, homossexuais, portadores de deficiência e não-brancos, às custas de muito esforço, conseguiram avanços significativos na busca de igualdade com "o macho-adulto-branco-sempre-no-comando", referido por Caetano Veloso, na canção "O estrangeiro".
Basta, entretanto, olhar ao redor, para perceber que ainda estamos muito, muito distantes do ideal. Mulheres e homossexuais ainda são vítimas recorrentes dos seus "machos", deficientes ainda precisam superar barreiras físicas e ideológicas e os não-brancos ainda são tratados como uma raça de menor valor, como se existissem de fato raças que subdividissem a espécie humana e como se pudesse justificar eticamente qualquer valoração do ser humano baseada apenas na sua ascendência. 
"Verás que um filho teu não foge à luta nem teme, quem te adora, a própria morte", diz um trecho do nosso Hino Nacional. E, seguindo esse mandamento, devemos enfrentar essa "guerra", batalha a batalha, sempre que essas idéias nefastas de classificar grupos como melhores ou piores, pela sua origem ou pela aparência, aparecerem diante de nós. Otimista(s)? Talvez. Conformado(s)? Nunca!!!
Essa tentativa de introdução é só para não ir tão direto a um fato que indignou muita gente nos últimos dias. Está circulando nas redes sociais, um vídeo de um "macho adulto branco" (reproduzido abaixo), que não detém um poder político, mas possui o poder da mídia global, de grande penetração social e de grande potencial de convencimento, exalando preconceito travestido de elogio e admiração. 
Esse fato suscita a reflexão sobre dois aspectos importantes, nele embutidos. Primeiro, como disfarçada e sorrateiramente aqueles privilegiados historicamente (os machos adultos brancos) pelas idéias racistas, ajudam a manter essas idéias, incutindo no pensamento daqueles que ainda estão em processo de formação (como as nossas crianças e jovens em idade escolar), de uma forma tão naturalizada, que um negro de baixa estatura não pode ser reconhecido pelo seu talento se não parecer um loiro, alto e de olhos azuis. 
O segundo aspecto importante, é saber que atualmente, com a descentralização da produção e divulgação de informação/conhecimento, podemos rebater à altura essas idéias, denunciando a sua essência discriminatória e preparando as novas (e também as antigas) gerações para lidar com essas situações com uma postura sempre crítica, pró-ativa e reativa, se for necessário.
É certo que se nos voltarmos para a escola, campo de interesse deste blog, algo mais precisa ser feito. Precisamos implantar programas de combate ao racismo, em certas situações e/ou seguir os conselhos do sociólogo Demétrio Magnoli, que no vídeo postado acima, afirma que se a escola der boas aulas de História, Geografia e Biologia, já estará dando uma grande contribuição contra o pensamento racista que ainda insiste em afetar a vida de muita gente em nosso país. Vale a pena, também, assistir ao vídeo realizado pela Unicef, pois, entre outras qualidades, nos informa de números importantes sobre o impacto do racismo na infância. 
Vamos jogar fora o nosso racismo!!!







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